sábado, 17 de abril de 2010
Colombo, nem santo e nem demônio.
domingo, 11 de abril de 2010
Maquiavel
NICCOLÒ MACHIAVELLI – 1469-1527
CONTEXTO HISTÓRICO
Já ao início do século XVI a Itália se apresenta dividida em pequenos principados. Seus governadores são déspotas sem tradição dinástica ou de direitos contestáveis. A crise na estrutura do poder era conseqüência da instabilidade política que tinha sua origem na ilegitimidade do poder. Só se mantinha o poder pelas armas e a força militar italiana era constituída por mercenários. Isto tornava instável a conquista e a manutenção do poder.
Havia um grande vazio: ausência de um poder central. Este vazio era ocupado por militares aventureiros (condottieri) – governantes astutos e bem armados. Conquistavam alguns principados para si e estabeleciam alianças com reis, cardeais e papas.
A Europa ocidental era monárquica e os principados italianos, presas fáceis. O cenário era de total desorganização política, militar e institucional devido ao anacronismo das cidades - estado e pela ausência de um poder central forte. A igreja, ainda que influente não conseguia dominar os Estados e também não encorajava a unificação dos principados, ducados, reinos e repúblicas sob o poder de um príncipe secular.
O restante da Europa cresce com o comércio. Alguns empresários italianos transferem o centro de decisão de seus negócios para a Inglaterra e França. A Itália estava dividida, como dissemos, em ducados, principados e repúblicas, todas rivais entre si. Neste contexto, a astúcia e traição eram freqüentes inclusive dentro do clero. Este é o cenário da realidade social à época em que foi escrito ‘O Príncipe”.
Era a época do Renascimento e a retomada dos clássico gregos e romanos substituía gradualmente o imobilismo da Idade Média (caráter teocêntrico) por um dinamismo indicado por uma nova visão do Homem (caráter antropocêntrico). Há uma tentativa da Itália de viver em paz através do Tratado de Lodi que pôs fim a guerra entre Milão e Veneza instituindo a Santíssima Liga com a participação destes e também da República de Florença, do reinado de Nápoles e o papado. Estes cinco principais governos unidos garantem um certo equilíbrio político por cerca de quarenta anos. Menos enfraquecida a Itália prospera e lidera o movimento renascentista.
A quebra do Tratado se dá durante o pontificado de Sisto IV. Em 1478, Florença então governada por Lourenço de Medici se torna hostil a Roma devido a política de fortalecimento dos Estados pontifícios. O papa Sisto IV aceita participar de uma conspiração para derrubar os Medici não sendo informado de todos os detalhes. Na catedral durante uma missa Juliano é assassinado e seu irmão Lourenço escapa com vida. Os algozes são presos, enforcados e esquartejados pela multidão. Lourenço de Medici sai fortalecido. Enfrenta de um lado a hostilidade de Veneza e de outro o papado unido a Nápoles.
Num gesto político audacioso parte sozinho a Nápoles para se encontrar com o rei. Diante da ameaça turca alia-se a Fernando I e desta forma Lourenço colhe grande vitória diplomática sobre o papa. Lourenço morre em 1492 e seu filho Pedro faz um reinado medíocre e é condenado ao exílio por ter se entregue covardemente ao rei Carlos VIII da França. Carlos VIII entra triunfante em Florença convencido de que é um emissário de Deus enviado para punir e reformar a Igreja conforme os sermões de um frei chamado Savonarola que se torna a personalidade dominante naquele momento.
O novo governo assume uma feição Teocrática com campanha moralista e religiosa elevada a um grau desconhecido mesmo na Idade Média.. Rapidamente entra em choque com o papa Alexandre VI; é excomungado e Florença é ameaçada com um interdito. Savonarola é preso pelo governo, torturado e morto em praça pública.
Maquiavel a tudo assiste tirando lições da brusca queda do líder religioso sem armas. Todos os adeptos a Savonarola são demitidos. Aos vinte e nove anos Maquiavel assume o cargo de secretário na Segunda Chancelaria de Florença. Participa de muitas missões diplomáticas, sendo uma especial: travou conhecimento com César Borgia filho do papa Alexandre VI. É da astúcia e rapidez de César Borgia na conquista a Urbino que Maquiavel identifica uma qualidade fundamental a qualquer príncipe: virtù. (palavra italiana que para Maquiavel significa energia, decisão, capacidade, empenho, vontade dirigida para um objetivo - em latim vir=homem.)
Em 1512 morre Alexandre VI. É eleito o papa Júlio II (sobrinho de Sisto IV ) que estava no exílio por animosidade aos Borgia. César Borgia é preso e liberado mediante pagamento de pesado tributo. Vai para a Espanha onde morre lutando em completo esquecimento. Júlio II derrota o governo republicano de Soderini e reconduz os Medici ao governo. Começa então o ostracismo de Maquiavel.
EM O PRÍNCIPE
Maquiavel aproveitou a ocasião de mostrar o perfil de César Borgia, tipo de
príncipe novo, modelo de virtuosidade política, em oposição a Luís XII, príncipe hereditário que acumula as faltas. O principal da obra está nos capítulos XV a XX, e que constituem a essência do maquiavelismo. Subentende-se os deveres do príncipe cristão. O novo príncipe vive no seio do perigo, acompanhando-o dois receios:
1) o interior de seus estados e o proceder dos súditos;
2) o exterior e os disignios das potências circundantes.
O príncipe deve aprender a não ser sempre bom, a ser ou não ser bom “conforme a necessidade”. O príncipe deve conservar o seu reino.
O autor está desiludido com ou outros homens. Distingue perfeitamente o bem e o mal, e que até preferiria o bem, mas que recusa fechar os olhos ante o que julga ser a necessidade do Estado, ante o que julga serem as sujeições da condição humana.
Para um príncipe ser considerado liberal, generoso é bom, todavia ser parcimonioso é um dos vícios que fazem reinar. Igualmente o príncipe deseja ser considerado clemente, mas é a crueldade que restabeleceu a ordem e a união na Romagna. Donde surge a questão clássica: Mais vale ser amado que temido, ou temido que amado? É melhor ser temido. Porque? Os homens são ingratos. O vínculo do amor rompem-no ao sabor do próprio interesse, enquanto o temor se conserva por um medo do castigo, que jamais os abandona. Ser temido não significa ser odiado. Há uma singela receita para evitar o ódio: é abster-se de atentar, seja contra os bens dos súditos, seja contra a honra de suas mulheres.
Os príncipes que fizeram grandes coisas violando a sua fé, impondo-as aos homens pela astúcia, é que acabaram por dominar aqueles que se baseavam na lealdade.
O príncipe deve escolher por modelo a raposa e o leão. Deve tratar de ser simultaneamente a raposa e leão, pois, se for apenas leão, não perceberá as armadilhas; se for apenas raposa, não se defenderá contra os lobos. Quando se é príncipe, pode-se “deixar de encontrar razões legítimas para colorir a falta de cumprimento” do que se prometeu.
O novo príncipe deve observar em jamais tornar poderoso outro príncipe, pois seria trabalhar para sua própria ruína. Também o novo príncipe não se deve permanecer neutro, pois os que abraçam esta posição quase sempre vão a ruína.
Somente um príncipe já sábio por si mesmo pode ser bem aconselhado. Deve tomar conselho quando quer e não quando outros o querem. Jamais se deixar dominar por aqueles que o aconselham. Um bom ministro é aquele que nunca pensa em si mesmo, mas sempre no príncipe. Mas o príncipe também deve pensar neste seu ministro, cumulando-o de riquezas, de consideração, de honras e dignidades, para que receie toda mudança.
O SEGREDO DE MAQUIAVEL.
Nos últimos 03 capítulos de O Príncipe (sobretudo no XXVI), Maquiavel revela seu grande segredo: A Itália. Um violento amor da pátria despedaçada, subjugada e devastada. O sonho de um libertador, de um redentor da Itália atormenta Maquiavel.
No capítulo XXIV, manifesta Maquiavel seu desprezo aos príncipes italianos, tais como o rei de Nápoles, o Duque de Milão, que, após uma longa posse, perderam seus Estados.
No último capítulo (XXVI), diz o autor que na Itália, nunca as circunstâncias foram tão favoráveis a um príncipe novo que queira “tornar-se ilustre”.
O DESTINO DA OBRA
Lourenço de Médicis recebeu O Príncipe em manuscrito. Não lhe dispensou atenção alguma. Nas mãos de contemporâneos onde circulou o manuscrito, o interesse foi medíocre.
A partir de 1519, recupera Maquiavel certo favor dos Médicis, mas devido sua reputação de funcionário prudente, de hábil político, e não por causa de O Príncipe. Recebe uma pensão para escrever a sua História de Florença. Em 1527 os Médicis são de novo expulsos de Florença, restabelecendo-se a República, e a 22 de junho de 1527, aos 58 anos de idade, NICOLAU MAQUIAVEL falece, vítima de males intestinais.
Quatro anos após sua morte, O Príncipe é publicado, com um breve de autorização do Papa Clemente VI (1531); a edição é dedicada a um cardeal. Inicialmente inofensiva, as edições vão se multiplicando. A Renascença pagã. sucedeu a Reforma protestante, que obrigou a própria Igreja a reformar-se interiormente. Assim o livro de Maquiavel achou-se envolvido nos turbilhões de vastas contendas. O Cardeal - Arcebispo de Canteerbury, Reginald Pole, católico, julga O Príncipe escrito “pela mão do Demôniuo”. Em1557, o escrito indigno e celerado denunciado pelo Papa Paulo IV; é condenado pelo Concílio de Trento, e muitas outras acusações. Também os protestantes abominam Maquiavel como jesuíta. Os jesuítas o denunciam à indignação católica.
Porém os soberanos e primeiros ministros, apaixonados do Poder, fazem de O Príncipe, breviário do absolutismo, o livro de cabeceira. Por volta de 1738, Frederico, príncipe real da Prússia, compõe um Antimaquiavel, homenagem de um “filósofo”, de um futuro “déspota esclarecido”, ao idealismo político, ao otimismo do século.
Mas Maquiavel, “simulando dar lições aos reis, deu grandes lições aos povos”.
Napoleão aparece a seus inimigos, como a realização mais perfeita do príncipe. Maquiavel tem direito à mais fervorosa gratidão da Itália unificada de 1870, e dos democratas do mundo inteiro. Na segunda guerra mundial, julgou-se a derrota de Hitler como a derrota de Maquiavel. Mas a derrota de Hitler é em grande parte a vitória de Stalin. No entanto, a força corrosiva do pensamento e do estilo de Maquiavel ultrapassaram, de infinita distância, o objeto do momento. Por ter realçado tão cruelmente o problema das relações entre a política e a moral; por ter concluído, em uma cisão profunda, uma irremediável separação entre elas,
O Príncipe atormentou a humanidade durante quatro séculos. E continuará a atormentá-la, senão eternamente”, como se disse, - ao menos enquanto essa humanidade não tiver analisado inteiramente certa cultura moral, herdada, no que diz respeito ao Ocidente, de alguns Antigos célebres, e, sobretudo, do cristianismo.
Hobbes e o pensamento político
Hobbes quis fundar a sua filosofia política sobre uma construção racional da sociedade, que permitisse explicar o poder absoluto dos soberanos. Mas as suas teses, publicadas ao longo dos anos, e apresentadas na sua forma definitiva no Leviatã, de 1651, não foram bem aceites, nem por aqueles que, com Jaime I, o primeiro rei Stuart de Inglaterra, defendiam que «o que diz respeito ao mistério do poder real não devia ser debatido», nem pelo clero anglicano, que já em 1606 tinha condenado aqueles que defendiam «que os homens erravam pelas florestas e nos campos até que a experiência lhes ensinou a necessidade do governo.»
A justificação de Hobbes para o poder absoluto é estritamente racional e friamente utilitária, completamente livre de qualquer tipo de religiosidade e sentimentalismo, negando implicitamente a origem divina do poder.
O que Hobbes admite é a existência do pacto social. Esta é a sua originalidade e novidade.
Hobbes não se contentou em rejeitar o direito divino do soberanos, fez tábua rasa de todo o edifício moral e político da Idade Média. A soberania era em Hobbes a projecção no plano político de um individualismo filosófico ligado ao nominalismo, que conferia um valor absoluto à vontade individual. A conclusão das deduções rigorosas do pensador inglês era o gigante Leviatã, dominando sem concorrência a infinidade de indivíduos, de que tinha feito parte inicialmente, e que tinham substituído as suas vontades individuais à dele, para que, pagando o preço da sua dominação, obtivessem uma protecção eficaz. Indivíduos que estavam completamente entregues a si mesmos nas suas actividades normais do dia-a-dia.
Infinidade de indivíduos, porque não se encontra em Hobbes qualquer referência nem à célula famíliar, nem à família alargada, nem tão-pouco aos corpos intermédios existentes entre o estado e o indivíduo, velhos resquícios da Idade Média. Hobbes refere-se a estas corporações no Leviatã, mas para as criticar considerando-as «pequenas repúblicas nos intestinos de uma maior, como vermes nas entranhas de um homem natural». Os conceitos de «densidade social» e de «interioridade» da vida religiosa ou espiritual, as noções de sociabilidade natural do homem, do seu instinto comunitário e solidário, da sua necessidade de participação, são completamente estranhos a Hobbes.
É aqui que Hobbes se aproxima de Maquiavel e do seu empirismo radical, ao partir de um método de pensar rigorosamente dedutivo. A humanidade no estado puro ou natural era uma selva. A humanidade no estado social, constituído por sociedades civis ou políticas distintas, por estados soberanos, não tinha que recear um regresso à selva no relacionamento entre indivíduos, a partir do momento em que os benefícios consentidos do poder absoluto, em princípio ilimitado, permitiam ao homem deixar de ser um lobo para os outros homens. Aperfeiçoando a tese de Maquiavel, Hobbes defende que o poder não é um simples fenómeno de força, mas uma força institucionalizada canalizada para o direito (positivo), - «a razão em acto» de R. Polin - construindo assim a primeira teoria moderna do Estado.
Deste Estado, sua criação, os indivíduos não esperam a felicidade mas a Paz, condição necessária à prossecução da felicidade. Paz que está subordinada a um aumento considerável da autoridade - a do Soberano, a da lei que emana dele.
Mas, mesmo parecendo insaciável, esta invenção humana com o nome de um monstro bíblico, não reclama o homem todo. De facto, em vários aspectos o absolutismo político de Hobbes aparece como uma espécie de liberalismo moral. Hobbes mostra-se favorável ao desenvolvimento, sob a autoridade ameaçadora da lei positiva, das iniciativas individuais guiadas unicamente por um interesse individual bem calculado, e por um instinto racional aquisitivo.
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sábado, 20 de março de 2010
A CIVILIZAÇÃO MAIA
Fixados na Península do Iucatã, os Maias formaram um vasto império formado por várias cidades-Estado independentes. Em âmbito geral, cada um desses núcleos urbanos era constituído por uma teocracia, sistema de governo em que o representante máximo é visto como um representante dos deuses na Terra. Chamado de “Halach Uinic”, esse líder também ocupava funções militares que o incumbiam de fazer prisioneiros de guerra e oferecer os mesmos como sacrifício para os deuses.
A sociedade maia possuía um tipo de organização bastante rígido e primordialmente determinado pelo nascimento do indivíduo. No topo da hierarquia estava a família real, os ocupantes dos cargos políticos mais prestigiados e os ricos comerciantes locais. Na camada intermediária, encontramos os outros integrantes do funcionalismo público, o militares de menor patente e os trabalhadores especializados. Por fim, a base de tal sociedade era integrada por trabalhadores braçais e camponeses.
Sob o ponto de vista econômico, os maias tiveram ampla habilidade para desenvolverem um sistema de trabalho bastante organizado. Por meio de vários mecanismos de controle e distribuição, as cidades maias promoviam a distribuição de alimentos para toda a população. Em geral, a dieta alimentar era composta por agave, cacau e algodão. Portadores de uma rica cultura material, os maias também conseguiram articular uma vasta atividade comercial.
Contrariando as perspectivas etnocêntricas, os maias desenvolveram vários cálculos matemáticos através do uso do número zero e utilizavam-se de um sistema de contagem vigesimal. Na astronomia, conseguiram determinar a trajetória percorrida por certos astros e organizar um calendário anual bem próximo ao que é utilizado pelas sociedades ocidentais contemporâneas. Nas artes, a escultura em baixo relevo e as construções eram fortemente influenciadas pelo tema religioso.
Sobre essa última questão, observamos que os maias acreditavam que os vários aspectos de sua vida poderiam ser determinados pela ação das divindades. Não por acaso, muitos dos deuses cultuados tinham ação sobre os astros e os diversos elementos da natureza. Em seus rituais, vemos que a utilização de sacrifícios era bastante recorrente. Em muitos casos, o sacrifício de seres humanos eram um dos mais prestigiados eventos religiosos de tal sociedade.
Quando chegaram ao continente americano, os espanhóis encontraram a sociedade maia em um avançado processo de desarticulação. Para alguns estudiosos, as mudanças climáticas e a ocorrência de lavouras com baixa produtividade foram as grandes razões que determinaram a extinção desta cultura. Ainda assim, vários documentos e vestígios nos permitiram descobrir ricos aspectos de tal civilização.
O INÍCIO DA IDADE MODERNA
A CRISE DO FEUDALISMO.
Segundo Perry Anderson, a crise do feudalismo se dá na Baixa Idade Média (séc. XIII) com o crescimento populacional e, segundo a sua análise, para aumentar a produção foi necessario ampliar a area de cultivo chegando a terras marginais (pouco produtivas) e por se tratar de um sistema econômico tradicional, não consegue fazer aumentar a produção de forma que atenda o numero populacional, em decorrência disso, a população começa a passar por um processo de fragilização do corpo onde começam a aparecer os primeiros casos de mortalidade alimentar, daí ocorre as epidemias como a peste negra (bulbônica) assomado à falta de saneamento, assim, começa a acontecer na europa fragilizada um sistema economico declinante e, consequentemente, o baixo índice de natalidade.
É tambem nesse período que ocorre a superexploração dos senhores feudais que começam a trocar seus tributos de espécies por dinheiro (início da monetarização) e isso gera revolta nos servos, como o caso das jacqueries na França, e onde o desrespeito, inclusive pelo símbolo religioso demonstra a crise do feudalismo dentro de um processo de desagregação dinamizando a economia.
Enfraquecidos e com medo de maiores revoltas, os senhores feudais se apoiam no rei ao mesmo tempo que os burgueses (comerciantes) tendo estes ultimos interesses de ampliar as sua rede comercial.
Aqui a Idade média vai perdendo a sua conotação corporativa organista; onde não há espaço para o homem e seus sonhos, onde não existe o indivídualismo; para dar lugar a uma mudança mental.
PROCESSO DE MUDANÇA.
Essa mudança mental que transita da Idade Média para a Idade Moderna ocorre dentro das Universidades com o aparecimento de intelectuais nas cidades europeias como Londres, Paris e, principalmente, na Italia (Florença). A igreja se divide, onde o alto clero vê essas mudanças como ameaça enquanto alguns, frequentadores das universidades, passam a ter pensamentos humanistas.
Com o renascimento de novas ideias; o pensamento transcendental da Idade Média que parte da Igreja na qual a lei divina afeta todos os fenômenos naturais e até mesmo a política, onde o conhecer é uma busca revelada, onde nada se cria posto que tudo é fundamentado no passado; na qual Platão e Aristóteles é a base do conhecimento, a Idade Moderna inicia uma fase especulativa onde a burguesia ja não se encontra nos velhos livros passando a buscar a verdade das coisas, a razão e a transformação.
Dessa forma, o homem moderno é que classifica a Idade Média e o que caracteriza a modernidade é o fim da sociedade feudal e a chegada do capitalismo comercial que vai se concretizando e dando abertura para o capitalismo industrial.
A IDADE MODERNA
Há na modernidade mudanças políticas como a centralização do poder e a criação dos Estados-Nacionais onde o absolutismo toma forma fortalecendo o rei.
A ciência, os costumes e a cultura ja tão esquecidas na Idade Média, com o enfraquecimento da Igreja, começa a reaparecer em novos aspectos compostos pelo pensamento burguês como a reforma protestante, o renascimento artístico que correlaciona-se com a ciência e a arquitetura.
Há nesse periodo o renascimento de vários fatores inclusive da Inquisição, como resposta às reformas e à ciência.
Alguns cientistas começavam a ser perseguidos nesses meados do século XVI – XVII, ja que foi nesse período que se inicia a nova busca pelo corpo humano surgindo, à partir daí, os estudos de anatomia e chegando a ciência a influenciar, através de estudos, na arte fazendo surgir a noção de perspectiva (profundidade, espaço, volume), é aqui também que a arte perde a função exclusiva religiosa.
Assim renasce a ciência, se lançando por todos os lados e gerando várias vertentes como a física, a mecânica, a anatomia e a história que agora ja não presta mais conta à teologia passando a própria filosofia a tecer seu próprio caminho. A isso chamamos autonomia.
DA MENTALIDADE DO MERCADOR
Le Goff nos faz perceber a mentalidade dos mercadores nas cidades italianas do seculo XIV, que valorizava o cálculo, o racionalismo; uma mentalidade que, segundo Le Goff, efetua sérias críticas ao ócio numa mentalidade lucrativa e bem diferente dos senhores feudais. Com isso podemos perceber que, sob a ótica dos mercadores, só há transformações onde há valorização do indivídualismo, ou seja, liberdade para manter em sigilo os seus negócios dentro de um ambiente exclusivo e restrito, começando aí a ser criada a vida privada e denotando, a partir dessa mentalidade, mudança na arquitetura.
Com isso, surge através dos mercadores tambem a valorização dos bons costumes; chocando com a nobreza (bem vestida) que vê no burguês (de traje sóbrio) grosseria e limitações intelectuais.
Do teológico político à grande ruptura de Maquiavel.
O conceito teológico politico consistia em delegar poderes a seres escolhidos na terra, assim, não havia participação politica sendo a tradição responsavel pelas escolhas e, embora houvesse variantes nesse metodo, o mais adotado é o de Santo Agostinho que defende a cópia hierarquica do céu na terra, deixando evidente a falta de escolhas prevalecendo a visão corporativa sendo as decisões tomadas de cima para baixo passando dessa forma, a existir no final da Idade Média a divinização dos reis no qual os seus discursos passavam a ter uma legitimação religiosa.
Nesse contexto de ascenção da burguesia foi necessário criar uma nova politica, agora ja não estabelecida por Deus, mas pelos homens (poder temporal) rebuscando na Grecia antiga os modelos politicos e fazendo-se criar nesse periodo a ciência política.
Coube a Maquiavel, atraves da obra chamada “O Príncipe” a trazer para a imanência a politica, buscandoa traves de estudo da história os verdadeiros fatos.
LÓGICA RACIONALISTA E LIBERALISMO
Em Descartes temos a demonstração matemática e atraves da lógica cartesiana cria-se o racionalismo; e das teorias onde a engenharia de Jhon Locke, que defende o estado de natureza livre e iguais dos homens contrastando com a idéia deThomas Hobbes, que legitima o poder do rei; o primeiro, dentro do pensamento burguês faz nascer o liberalismo.
As duas bases da ciência moderna.
A primeira base da ciência moderna é o cogito cartesiano que busca razão na Grecia (Platão) encontrando na matemática o mundo à partir do cálculo; a segunda base é o empirismo que baseado em Aristóteles defende que a linguagem da razão não é suficiente precisando tambem dos sentidos. Assim, Frances Bacon e Jhon Locke incentivam a observação e experimentação dando margem ao empirismo, mas é Kant que une essas duas ciências no final da Idade Moderna se livrando do pensamento medieval e defendendo o fato de que só se pode entender o que se processa no espaço e no tempo (fenômeno), estando os deuses fora do espaço e do tempo, logo, do entendimento humano. dividindo a teologia da filosofia. Dessa forma a história deixa de ser coisa dos deuses para ser coisa dos homens, portanto, podemos conhecê-la.
Assim acontece o pensamento moderno mas ainda permanece o absolutismo (o rei é a escolha de Deus)!
sexta-feira, 12 de março de 2010
As várias Américas
Chamar a civilização encontrada no Vale do Grande Lago, na região conhecida por Meso-América, de "Império Asteca" é dar-lhes a verdadeira definição desta que foi uma potência administrativa-religiosa-cultural do Novo-Mundo, no momento da chegada do europeu à América.
Mediante as altas Culturas pré-colombianas Astecas (região do México), Maias (região Central) e Incas (America Andiana) o europeu depara-se com uma região onde imperava a desigualdade com diferenças que iam desde a localização geográfica e os seus respectivos climas; frios intensos (Canadá), estações definidas (EUA), calor intenso (Terra do fogo) e climas tropicais; com o passar do tempo essas diferenças naturais foram-se associando a outras como consequencia do processo de colonização da América.
Essas novas diferenças foram tomando forma e dando novas características atraves da pluralidade cultural e étnica, chegando a tornar possível a mentalidade de várias Américas como, por exemplo, a América branca do Canadá, EUA, Uruguai e Argentina (onde neste ultimo país os indígenas foram banidos para a Patagonia e mais para frente, em 1820, o processo de limpeza etnica (genocídio) reduziu o número de escravos negros; a America indígena da Bolívia e do Paraguai; a América Negra do Haiti e Jamaica e, por fim, a America da Miscigenação brasileira.
Segundo a ideologia colonialista essas desigualdades se devem ao fato de existir algumas raças inferiores, como o indio americano, o negros escravo e a miscigenação se concentrando em regioes específicas da America e essa inferioridade racial não permite alcançar o nível cultural dos colonos ingleses que seguem à risca os moldes europeus.
a ciência moderna não comprova a desigualdade através da geografia e nem da raça, entretanto, a história demonstra que o desenvolvimento destrói ou transforma modos de produção, quando necessário.
A ciência histórica num estudo sobre o eurocentrismo demonstra que, mesmo após os processos iguais de evolução (comunidade primitiva, escravismo e feudalismo), a América não se desenvolveu da mesma forma que a Europa.
quinta-feira, 11 de março de 2010
A América Pré-colombiana
No século XIX, com o evolucionismo de Darwin contrapondo o criacionismo (Somos todos descendentes de Noé?), fosseis de homos sapiens sapiens com 40.000 anos supõe que o homem pré-colombiano, no ultimo processo da Era Glacial, surge na América pelo fluxo ocorrido vindo da Ásia (Behring) numa descendência malaio-poliponésica (Polinésia). Supõem-se essa migração por não ter sido encontrado fosseis anteriores que comprovassem a escala evolutiva dessa espécie no continente.
Dessa forma, com o processo de desertificação, alguns agrupamentos foram extintos, outros tornados nômades e, entre tantas outras vias, uma delas foi a sedentarização próximo aos rios (seguindo o curso dos animais pela sobrevivência); no entanto, esse sedentarismo aconteceu de forma lenta e, através da observação cíclica da natureza, o homem pré-colombiano passou a transformá-la deixando-se tambem ser tranformado por ela através das alterações ora naturais ocorridas no continente, ora necessárias sofrendo a influência do homem onde a existência de rios e lagos (próximo ao golfo do México) permitia a prática da agricultura. A primeira civilização americana foi chamada Theotihuacana.
À partir daí várias outras comunidades aldeãs foram se formando e dando origem as Altas culturas pré-colombianas (Asteca, Inca e Maia).
CONFEDERAÇÃO ASTECA
Theotihuacana tomou forma de Estado quando as comunidades aldeãs integraram a maior parte da sua produção fornecendo mão-de-obra para as obras públicas . Dessa forma, com o baixo nível tecnico das forças produtivas e sem tecnologia, abria-se a necessidade de criar obras públicas como forma de irrigação, por exemplo, na qual uma comunidade não conseguiriam realizar sozinha dependendo do Estado centralizando essa força de trabalho; submetendo-se, assim, a um poder central mediante a opressão e consentimento dando origem a Confederação Asteca.
Entendemos como confederação, nesse caso, o conjunto de povos, cidades, territórios ou Estados unidos aos Mexicas e divididos em 38 províncias na qual conviviam povos de línguas, costumes e religiões diferentes. Povos como os Zapotecas, Totonacas, Mixtecas, Mexicas, entre tantos outros que, embora continuassem a manter o seu poder (governo próprio) deixavam-se manter sustentado sob uma base cultural comum.
Essa unidade cultural (religiosa, política, social, cultural e econômica) “sugerida” pelos Astecas, associada à força militar, é que legitimava o poder de Theotihuacana. Da apropriação diferenciada dessas bases é que foi permitido aos povos criar culturas diferentes e, consequentemente, níveis idferenciados de desenvolvimentos nas suas forças de trabalho.
O nível de subordinação desses povos em relação aos Astecas variava de acordo com o grau de evolução de cada povo onde os menos evoluídos, por dependência, sofria maior opressão deixando aos mais evoluídos uma relação de troca.
Embora a terra não fosse privada e nem individual, as comunidades possuíam o direito de seu uso que pertencia ao Estado.
Esse Estado, em razão de ser “necessário” extraía a maior parte da produção comunitária sob a alegação de utilizá-la para o desenvolvimento das comunidades, para o fortalecimento dos militares e, consequentemente, para a proteção de todos bem como para as oferendas aos deuses.
Nesse modo de produção o pagamento de tributos era fundamental pois assim o Estado controlava todos os modos de produção (inclusive os escravos) tornando-se cada vez mais necessário.
Foi desenvolvido em Theotihuacana o modo de produção asiático (considerado despotismo oriental, onde o governo é visto como uma divindade e ligado à classe sacerdotal) e tinha como característica um governo teocrático, centralizador, forte e com controle sobre a sua jurisdição; o campo ideológico era amparado por uma visão mística de mundo (com a existência de mitos que defendiam a origem do mundo e o fim dos tempos); onde os sacerdotes detinham o poder de fazer com que os deuses proporcionassem boas condições de vida. E daí o imperador, enquanto divindade, se colocava numa posição hegemônica.
As camadas dominantes detinham o privilégio do nascimento, ou seja, podiam transferir seu poder hereditariamente e essa minoria que explorava, composta de cima para baixo na escala, era composta por governante, sacerdotes, militares, comerciantes e funcionários reais; deixando para a maioria explorada de camponeses e escravos, na base dessa escala, a facilidade da mobilidade social denotando, dessa forma, a sociedade estamental em que viviam.